Estreante na Fórmula 1 após assumir a antiga Sauber, a Audi tem enfrentado um início discreto na temporada 2026. Com apenas dois pontos conquistados até o momento, a equipe reconhece dificuldades para acompanhar o ritmo das principais concorrentes. Segundo o chefe interino Mattia Binotto, o principal entrave está na unidade de potência.
A montadora alemã ingressou na categoria motivada pelo novo regulamento de motores, que ampliou a importância da parte elétrica. No entanto, ao optar por desenvolver seu próprio motor desde o início, a Audi passou a lidar com desafios maiores do que rivais como Haas F1 Team e Alpine F1 Team, que utilizam unidades fornecidas por Mercedes e Ferrari, respectivamente. Além da falta de desempenho, problemas de confiabilidade também têm impactado os resultados.

Para tentar equilibrar o campeonato, a FIA implementou o sistema ADUO, que permite maior liberdade de desenvolvimento às equipes com desempenho inferior a pelo menos 2% da líder — atualmente a Mercedes. Ainda assim, Binotto destacou que a recuperação não será imediata e exige paciência.
— Sabíamos que a unidade de potência seria nosso maior desafio. Temos um plano para evoluir, mas o desenvolvimento de motores leva tempo, especialmente quando envolve novos conceitos. Por isso, estabelecemos 2030 como meta para disputar títulos — afirmou o dirigente.
O italiano assumiu o comando interino da equipe após a saída de Jonathan Wheatley e reforçou que a estratégia passa por seguir o planejamento traçado, sem buscar soluções imediatistas.
— Gostaríamos de resolver tudo rapidamente, mas não funciona assim. Precisamos entender onde estamos e seguir o plano. Não estamos aqui para milagres, e sim para construir uma evolução sólida — completou.
Apesar das dificuldades em ritmo de corrida, a Audi tem mostrado competitividade nas classificações. O brasileiro Gabriel Bortoleto colocou o carro entre os dez melhores grids nos GPs da Austrália e do Japão. No entanto, o bom desempenho aos sábados não tem se traduzido em resultados consistentes nas corridas.

Um dos principais problemas identificados está nas largadas. Tanto Bortoleto quanto Nico Hülkenberg têm perdido posições logo nas primeiras voltas. No GP do Japão, por exemplo, o brasileiro caiu de nono para 13º, enquanto o alemão despencou de 11º para 19º.
De acordo com a equipe, a dificuldade está relacionada ao turbocompressor do motor, que é maior do que o dos concorrentes. Isso faz com que o carro demore mais a entregar potência na saída da inércia, prejudicando as largadas. Em contrapartida, equipes como a Ferrari, com turbo menor, conseguem ganhos mais rápidos nesse momento da prova.
Binotto reconheceu o problema e afirmou que a correção é prioridade interna, embora não seja simples de resolver.
— Tivemos mais uma largada ruim, e não é algo pontual. Sabemos que é uma prioridade máxima, porque não adianta largar bem e perder posições imediatamente. Mas não é uma solução óbvia — explicou.
A Fórmula 1 terá agora uma pausa de aproximadamente um mês, após os cancelamentos dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita. A próxima etapa será o GP de Miami, marcado para o dia 3 de maio.












