O Corinthians está fora da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2026. O maior campeão da história da competição foi eliminado ainda no primeiro mata-mata pelo Guarani, que venceu por 2 a 1 na noite desta segunda-feira, no estádio Zezinho Magalhães, em Jaú. Uma queda precoce, dolorosa e simbólica de um time que não conseguiu se encontrar na competição.
O Bugre fez um jogo seguro, organizado e eficiente. Soube sofrer quando precisou e matou quando teve oportunidade. Kewen e João Pires marcaram os gols da vitória campineira. Iago descontou para o Timãozinho nos acréscimos, mas já era tarde demais.
Um primeiro tempo que mostrou quem estava mais pronto
Desde os primeiros minutos, o Guarani mostrou que estava mais concentrado e mais competitivo. Enquanto o Corinthians tentava trocar passes sem objetividade, o Bugre chegava com mais perigo. Antes do gol, Wictor Gabriel e Artur já haviam levado perigo à meta de Matheus.
Aos 36 minutos, o que parecia iminente aconteceu. Artur levantou a bola na área, Kewen apareceu completamente livre e cabeceou no canto, sem qualquer chance para o goleiro corintiano. Um gol que refletiu o que se via em campo: o Guarani mais ligado, mais intenso, mais organizado.
O Corinthians até teve suas chances. Luiz Eduardo acertou a trave e Luizinho desperdiçou uma boa oportunidade, mas o time seguia errando muito, sem padrão de jogo e com dificuldade para transformar posse em perigo real.
Pressão, mas pouca clareza
Na volta do intervalo, o Timãozinho tentou reagir. Passou a pressionar, empurrado também por uma torcida que enfrentou quase quatro horas de estrada para lotar o estádio em Jaú. Iago, Nicollas (que entrou bem) e Luizinho finalizaram, obrigando Hyan a trabalhar.
E aí apareceu outro personagem decisivo da noite: o goleiro do Bugre. Hyan fez uma sequência de defesas importantes, segurando o Guarani no jogo justamente no momento em que o Corinthians parecia ganhar algum fôlego.
Mas quando o Corinthians estava mais no ataque, veio o golpe final. Vera vacilou, João Pires roubou a bola e, cara a cara com Matheus, tocou com categoria para fazer 2 a 0. Um erro fatal em um jogo eliminatório.
Nos acréscimos, Iago ainda conseguiu diminuir após cruzamento de Nicollas. Foi o último suspiro de um time que tentou mais na base do desespero do que da organização.
Um Corinthians que não convenceu
A eliminação não pode ser tratada como um acidente. Desde o primeiro jogo da Copinha, o Corinthians Sub-20 não mostrou aquele futebol envolvente que a torcida se acostumou a ver do maior campeão do torneio. Faltou intensidade, faltou padrão, faltou identidade.
Mesmo quando melhorou na segunda etapa contra o Guarani, o time esbarrou na própria desorganização e na grande atuação de Hyan. Foram muitas chances perdidas, muitos erros de passe e uma sensação constante de que o time estava mais perdido do que preparado.
Crise fora de campo refletida dentro dele
Essa queda precoce também carrega o peso do momento que o clube vive. A última eliminação do Corinthians antes das oitavas havia sido em 2013, quando caiu diante do Bahia por 1 a 0. Agora, mais de uma década depois, a história se repete.
Nos bastidores, o cenário não ajuda. Em 2025, mais de 100 jogadores foram contratados para as categorias de base, e nem metade foi aproveitada. Em 2026, o clube precisou “enxugar” o elenco, misturando remanescentes do vice contra o São Paulo no ano passado com atletas recém-contratados. O resultado foi um time ainda bagunçado, sem entrosamento e sem identidade clara.
O que se viu em Jaú foi um reflexo disso: um Corinthians Sub-20 sem concentração, errando fundamentos básicos e desperdiçando chances claras. Um time que não convenceu em nenhum momento da Copinha, mesmo com a Fiel fazendo sua parte, viajando, lotando estádio e acreditando até o fim.
O Bugre segue, o Timão cai
O Guarani agora enfrenta o XV de Jaú na terceira fase, enquanto o Corinthians volta para casa mais cedo do que o planejado. Para o maior campeão da Copinha, a eliminação não dói apenas pelo placar, mas pelo que ela revela: um projeto de base que precisa urgentemente de ajustes, organização e rumo.
A Copinha de 2026 termina de forma amarga para o Timãozinho. Não foi só uma derrota. Foi um alerta.











