A Copa do Mundo é reconhecida como o principal palco do futebol mundial e o torneio onde grandes jogadores costumam eternizar seus nomes na história. No entanto, nem sempre o talento individual é acompanhado por números expressivos. Diversos craques consagrados, incluindo vencedores da Bola de Ouro, campeões mundiais e ídolos de clubes históricos, encerraram suas participações em Mundiais sem marcar um único gol.
Entre os casos mais emblemáticos está o do holandês Marco van Basten. Tricampeão da Bola de Ouro e protagonista da conquista da Eurocopa de 1988 pela Holanda, o atacante chegou à Copa do Mundo de 1990 cercado por expectativas após o sucesso alcançado no Milan. Entretanto, a seleção holandesa foi eliminada nas oitavas de final pela Alemanha Ocidental, futura campeã do torneio. Em sua única participação em Copas, Van Basten disputou quatro partidas e não balançou as redes. Lesões recorrentes no tornozelo encerraram precocemente sua carreira aos 28 anos.

Outro nome de destaque é Luís Figo. Considerado um dos maiores jogadores da história de Portugal e vencedor da Bola de Ouro em 2000, o ex-meia esteve presente nas Copas de 2002 e 2006. Apesar de ter sido peça importante na campanha que levou os portugueses às semifinais do Mundial disputado na Alemanha, Figo encerrou sua trajetória em Copas com dez partidas disputadas e nenhum gol marcado.

Pela Inglaterra, Frank Lampard figura entre os grandes jogadores que não conseguiram marcar em Mundiais. O ex-meio-campista participou das edições de 2006, 2010 e 2014 e viveu um dos episódios mais marcantes da história recente das Copas. Nas oitavas de final de 2010, diante da Alemanha, acertou um chute que ultrapassou claramente a linha do gol após tocar o travessão, mas a arbitragem não validou o lance. O erro contribuiu para a posterior adoção da tecnologia da linha do gol no futebol internacional.

Ídolo do Boca Juniors e um dos maiores camisas 10 da história da Argentina, Juan Román Riquelme também integra a lista. Na Copa do Mundo de 2006, o meia foi o principal articulador da seleção argentina, que acabou eliminada pela Alemanha nas quartas de final. Apesar das assistências e do protagonismo na criação das jogadas, encerrou sua participação no torneio sem marcar.

Na seleção espanhola, Xavi Hernández foi um dos símbolos da geração mais vitoriosa da história do país. Campeão da Eurocopa de 2008, da Copa do Mundo de 2010 e da Eurocopa de 2012, o ex-meio-campista disputou quatro edições do Mundial e somou 15 partidas. Mesmo sendo fundamental na conquista do título na África do Sul, jamais marcou um gol em Copas.

O sueco Zlatan Ibrahimovic, conhecido por sua impressionante capacidade de finalização e pelos gols espetaculares ao longo da carreira, também não conseguiu deixar sua marca em Mundiais. O atacante participou das Copas de 2002 e 2006, mas passou em branco nas duas campanhas. O dado contrasta com os 62 gols marcados por ele com a camisa da seleção sueca.

Clarence Seedorf, um dos meio-campistas mais vitoriosos da história do futebol europeu, disputou apenas a Copa do Mundo de 1998 pela Holanda. Apesar da campanha que levou os holandeses até as semifinais, o ex-jogador não marcou gols na competição. Em 2006, optou por não disputar o Mundial para abrir espaço a atletas mais jovens da seleção.

Outro integrante da geração dourada da Espanha, Cesc Fàbregas participou das Copas de 2006, 2010 e 2014. Embora não tenha balançado as redes em nenhuma das dez partidas disputadas, teve papel decisivo no título mundial de 2010 ao dar a assistência para o gol de Andrés Iniesta na final contra a Holanda.

A República Tcheca é representada por Pavel Nedvěd. Vencedor da Bola de Ouro em 2003 e considerado o maior jogador tcheco de sua geração, o meia disputou apenas a Copa do Mundo de 2006. Após retornar da aposentadoria internacional para ajudar sua seleção a conquistar a vaga, viu a equipe ser eliminada ainda na fase de grupos e encerrou sua participação sem marcar gols.

Entre os atletas que ainda podem mudar essa estatística está Ousmane Dembélé. Atual vencedor da Bola de Ouro, o atacante francês participou das Copas de 2018 e 2022, conquistando o título mundial na Rússia, mas segue sem marcar em Mundiais.
Também em atividade, Bernardo Silva acumula participações nas Copas de 2018 e 2022. Um dos principais nomes da seleção portuguesa nos últimos anos, o meia-atacante ainda busca seu primeiro gol na competição mais importante do futebol.
Já Lautaro Martínez vive situação semelhante. Campeão mundial com a Argentina em 2022, o atacante chegou ao Catar como uma das referências ofensivas da equipe comandada por Lionel Scaloni, mas não conseguiu balançar as redes durante a campanha do título.
Com a Copa do Mundo de 2026 no horizonte, Dembélé, Bernardo Silva e Lautaro Martínez terão uma nova oportunidade para encerrar uma curiosa marca compartilhada por alguns dos maiores craques da história do futebol. Diferentemente de lendas como Van Basten, Figo, Xavi e Nedvěd, que já encerraram suas carreiras, os três ainda podem deixar sua assinatura nas redes do maior torneio do planeta.












