Crise no São Paulo: Entenda toda situação

O tricolor passa por momento difícil dentro e fora de campo no início do ano.

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A crise política no São Paulo vem tomando cada vez mais espaço na mídia. Os casos escandalosos de suposta corrupção e gestão temerária ofuscaram o fim de ano terrível que o clube teve esportivamente, e o cenário não mudou neste começo de 2026.

O início de tudo

Essa bola de neve teve início no começo de dezembro, no dia 9, quando o São Paulo passou a responder a uma denúncia feita ao Ministério Público que apontava possíveis irregularidades na gestão do clube, entre elas o déficit financeiro, a venda de jogadores da base por preços abaixo do previsto e suspeitas envolvendo membros da diretoria.

Mounjaro no DM

Passados três dias, mais uma polêmica surge envolvendo o Tricolor. Dessa vez, o assunto eram as canetas emagrecedoras que foram prescritas pelo agora ex-médico do clube, Eduardo Rauen. O caso logo tomou grandes proporções nos veículos esportivos, pois, em 2025, o São Paulo viveu uma grande crise no DM, chegando a ter mais de 70 lesões ao longo do ano, inclusive perdendo grandes estrelas em momentos importantes da temporada. O clube confirmou o uso do medicamento em dois atletas, mas negou que ele tenha tido qualquer impacto prejudicial na saúde dos jogadores.

Ingressos clandestinos

Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base do São Paulo
Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base do São Paulo/Arquivo Lance

No dia 15 de dezembro acontece aquele que talvez possa ser considerado o maior escândalo até então. Após grande apuração feita pelo GE, foi divulgado um áudio em que dirigentes do clube falam sobre a negociação clandestina de ingressos para o camarote do clube em dias de show, algo que não poderia ser feito, pois esses ingressos deveriam ser de uso exclusivo para convidados e não poderiam ser comercializados. Os dirigentes envolvidos nesse caso eram Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base do São Paulo, e Mara Casares, ex-esposa do presidente Julio Casares e diretora feminina, cultural e de eventos, que atualmente estão afastados de seus cargos após o vazamento dos áudios.
No áudio, Douglas e Mara conversam com Rita de Cássia Adriana Prado, intermediária que recebia os ingressos e supostamente era a responsável pela venda. Acontece que, em um de seus repasses, Adriana, como era chamada no áudio, não teria recebido R$ 32 mil dos R$ 132 mil que havia vendido para Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda. Diante disso, Adriana entrou com um processo na Justiça denunciando Carolina pela falta de pagamento. Porém, esse pagamento era ilegal e, com a investigação da polícia, todo esse suposto esquema de desvio dos ingressos poderia ser descoberto. Assim, durante o áudio, diversas vezes Douglas e Mara pressionam Adriana a retirar a denúncia. Em dado momento, Douglas solta a seguinte frase, escancarando o sistema em que os dirigentes teriam lucrado com os repasses de ingressos:

“Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito.”

O Ministério Público segue investigando o caso até o momento.

R$ 1,5 milhão de Casares

O ano mal começou e mais uma polêmica atingiu o clube do Morumbi. Conforme informado e apurado pelo UOL, a Polícia Civil já está atuando na investigação sobre a quantia depositada na conta de Casares. O COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) foi alertado sobre movimentações atípicas que ocorreram na conta do presidente Julio Casares.
Segundo o COAF, Casares teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão entre janeiro de 2023 e maio de 2025, quantia que seria maior do que o seu salário como presidente do clube paulista. Os advogados de Casares afirmam que o dinheiro tem origem lícita. No entanto, um fato curioso chamou a atenção do COAF: todos os depósitos eram feitos em valores de até R$ 49 mil por dia, sendo que o limite para o órgão ser notificado é de R$ 50 mil diários. Isso caracteriza o que o COAF define como “smurfing”, uma técnica usada para burlar sistemas de investigação.

Saques das contas do São Paulo

Ao mesmo tempo em que surge a investigação dos depósitos na conta de Casares, a Polícia Civil também investiga 35 saques feitos nas contas do clube, que totalizam R$ 11 milhões retirados entre 2021 e 2025.
Os dois primeiros saques, em 2021, foram realizados por um funcionário do clube. Depois disso, uma empresa de carro-forte foi contratada para fazer as retiradas, algo que pode dificultar a identificação dos envolvidos.
Ainda não se sabe qual foi a finalidade desses saques, porém a investigação terá continuidade assim que a polícia receber os documentos necessários.

Dentro das quatro linhas

Ainda não se sabe como o time irá se portar neste ano de 2026. Assim como em 2025, o São Paulo mantém uma postura conservadora na janela de transferências. Até o momento, apenas o volante Danielzinho, vindo do Mirassol, foi contratado.

O clube até tentou uma negociação com o Botafogo, buscando uma troca de jogadores envolvendo Pablo Maia e Ferraresi, porém sem sucesso.

Este ano será difícil para o Tricolor. Resta ao torcedor são-paulino se apegar à grandeza e ao amor à camisa pelo time do coração.