Principal ponto de críticas dos pilotos e equipes em relação ao novo regulamento da Fórmula 1, o gerenciamento de energia dos carros pode ter modificações depois do GP da China, marcado para o domingo (15).
Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), disse que a entidade tem algumas “cartas na manga” para melhorar o cenário, com os carros atuais muito dependentes da carga da bateria.
De acordo com o “The Race”, a federação está ciente das reclamações de pilotos e equipes e concorda que o uso da energia não está no nível adequado. No entanto, Tombazis ressaltou que a FIA tenta não tomar decisões precipitadas neste início de ano.
– A posição unânime das equipes foi de que deveríamos manter as regras atuais pelas primeiras corridas, e rever o assunto quando tivermos um pouco mais de dados. A nossa intenção é rever a situação do gerenciamento de energia depois da China – iniciou.
Depois da prova em Xangai, a Fórmula 1 terá uma semana de pausa e retorna no dia 29, com o GP do Japão. A FIA terá a possibilidade de testar as novas regras em uma pista mais amigável ao uso de bateria e, caso considere que mudanças são necessárias, pode anunciá-las já para a prova em Suzuka. No entanto, Tombazis não disse quais são as possibilidades avaliadas no momento.
Outro tema recorrente no fim de semana foi o superclipping, que nada mais é do que o término da bateria no meio de uma reta e a subsequente perda de potência.
O GP da Austrália escancarou o tamanho da influência do gerenciamento de energia neste início de novo regulamento. A corrida no circuito de Albert Park, considerado um dos circuitos de maior dificuldade nesse quesito, teve 120 ultrapassagens, mas muitas tiveram influência das baterias – caso da disputa pela ponta entre Russell e Leclerc.
Diante disso, pilotos como o atual campeão Lando Norris e o tetracampeão Max Verstappen classificaram a corrida como “artificial”. O holandês e Charles Leclerc chegaram a comparar a prova ao jogo Mario Kart.
– Você ultrapassa na reta e pode ser atacado imediatamente. Talvez isso não tenha me incomodado tanto, porque temos um pouco mais de velocidade nas curvas do que muitas outras equipes. Mas no meio do pelotão aconteceram coisas parecidas com Mario Kart – opinou Verstappen.
Outro efeito da nova unidade de potência está nas largadas. Durante os testes de pré-temporada, os pilotos demoraram muito a acelerar quando as luzes se apagaram, e a FIA teve que introduzir um novo procedimento, utilizado no GP da Austrália: os competidores ganham cinco segundos extras para aumentar a rotação do motor.
A volta de apresentação não se mostrou suficiente para a recarga da bateria, e muitos pilotos relataram ter iniciado a prova sem carga – entre eles o vencedor George Russell, que foi superado por Charles Leclerc na largada e teve que retomar a posição.
A questão também gerou preocupações com um possível acidente grave. No início da prova, o argentino Franco Colapinto escapou por um triz de acertar a Racing Bulls de Liam Lawson, que teve problema para largar. Lando Norris vocalizou o temor pela segurança dos pilotos – não só na largada, mas considerando toda a corrida.
– Tudo depende do que as pessoas fazem, mas podem surgir diferenças de velocidade de 30, 40 ou 50 km/h. Se alguém tocar outro carro com esse tipo de diferença de velocidade, pode acabar sendo lançado para o ar, passando por cima das cercas, e pode se machucar seriamente, ou machucar os outros. Isso é uma coisa horrível de se pensar – disse o piloto da McLaren.












