A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) aceitou a petição da Alpine e retirou as duas punições impostas a Pierre Gasly no GP de Mônaco do último domingo. Com isso, o piloto francês recupera o terceiro lugar, posição antes ocupada pelo compatriota Isack Hadjar (Red Bull).
A decisão vem após a entidade rever as sanções que resultaram na perda do pódio de Gasly e identificar discrepâncias no sistema adotado para medir as velocidades de entrada nos boxes. O piloto teve dez segundos adicionados ao seu tempo final de prova por exceder o limite de velocidade dentro do pit lane e, por isso, caiu para sétimo lugar.
A equipe se posicionou sobre a decisão nas redes sociais, na manhã desta sexta-feira:
“Recebemos com satisfação a decisão da FIA de considerar admissível nosso pedido de Direito de Revisão (Right of Review) após a classificação final do Grande Prêmio de Mônaco do último fim de semana. Como resultado, os comissários revogaram as duas penalidades de cinco segundos impostas ao carro nº 10, o que restitui à equipe o terceiro lugar na corrida.
Gostaríamos de agradecer à FIA e à Formula One Management pela transparência e colaboração ao longo de todo o processo de revisão e por terem contribuído para que essa decisão fosse alcançada.
Agora, o foco da equipe está totalmente voltado para o Grande Prêmio da Espanha, em Barcelona-Catalunha, neste fim de semana, e para buscar o melhor resultado possível com seus dois carros”.
Vários outros pilotos foram punidos sob a mesma alegação, mas Gasly foi o único que recebeu duas sanções, de 5s cada. Ele chegou a comemorar o terceiro lugar obtido na pista; após a bandeirada, ao ser informado do ocorrido já fora do carro, o francês desabafou e disse que se sentia roubado.
O limite de velocidade no pit lane em Mônaco era de 60 km/h. Nas duas punições de Gasly, o piloto estava apenas 0,1 e 0,4 km/h acima do permitido, o que também aconteceu com outros pilotos. Imediatamente após o fim da corrida no Principado, a Alpine decidiu protestar contra as duas punições.
À FIA, a equipe francesa apresentou uma justificativa para o pedido de revisão, uma linha do tempo dos eventos, a ata de uma reunião com a FIA sobre sistemas eletrônicos e registros de cronometragem da etapa em Monte Carlo, além de dados de telemetria dos carros da equipe e suas rivais, Mercedes e Ferrari. Houve, ainda, a apresentação de um depoimento em escrito de Gasly.
Durante a revisão do caso, foi constatado que o problema estava na configuração das zonas de medição dos boxes, uma diferença de 77 centímetros que pesou no cálculo da velocidade média dos pilotos no trecho. Ou seja: a fórmula levou a um cálculo que retornou distâncias maiores do que os carros realmente percorreram.
Ainda nesta quinta-feira, a FIA declarou que a informação sobre a imprecisão do sistema foi providenciada às partes apenas na quarta-feira (10), pela Formula One Management (FOM), motivo pelo qual decidiu aceitar a petição da Alpine.
Os comissários ressaltaram ter demonstrado preocupação após a terceira punição por limite de velocidade no pit lane ter sido aplicada – o documento que atesta a reinstalação do pódio de Gasly aponta que as primeiras infrações registradas na corrida, de Lewis Hamilton, George Russell e Franco Colapinto, apresentavam a mesma velocidade: 60,1 km/h.
Aos 30 anos de idade, Gasly tem uma vitória na Fórmula 1: o GP da Itália de 2020. Este agora é o sexto pódio da carreira do piloto da Alpine, o último deles aconteceu no chuvoso GP de São Paulo de 2024, já pela escuderia francesa.












