O que leva um jogador a se tornar ídolo de um clube?
Títulos? Dribles? Coragem? Empenho? Habilidade?

Talvez seja um pouco de tudo isso. Mas Romero é um caso à parte.

Quando chegou ao Corinthians, veio cercado de críticas. Um jogador sem muita habilidade, questionado, desacreditado. Mas desde cedo ele entendeu algo que poucos entendem: o que é ser Corinthians. Ser raçudo. Ser intenso. Ser líder quando necessário. Ser capitão nas horas em que o time mais precisou.

Por muito tempo, Romero foi o maior artilheiro da Neo Química Arena, palco onde desfilou inúmeras vezes. Um palco onde mostrou habilidades que ninguém imaginava que ele tinha. Lances improváveis, gols inesperados, decisões tomadas no limite. Sempre com raça. Sempre com entrega.

Romero entendeu seus momentos. Nunca brigou por titularidade. Nunca criou problemas. Sempre trabalhou para conquistar espaço. Quando não tinha a vaga, esperava. Mas quando a oportunidade chegava, ele respondia. Mostrava por que estava ali. Mostrava por que fazia parte do elenco.

Ganhou títulos. Brasileiro. Paulista. E a tão sonhada Copa do Brasil — algo que nem o maior ídolo recente do clube, Cássio, conseguiu conquistar. Romero venceu. Venceu sendo Romero.

Foto: André Durão

Ele já teve uma despedida em 2019. Mas agora é diferente. Agora dói. Parece uma despedida que ele não queria. Que parte da torcida não queria. Mas o futebol também é feito de capítulos que chegam ao fim, mesmo quando o coração pede para continuar.

Na final da Copa do Brasil, muitos esperavam ver Romero entrar. Queriam sua última dança com o manto do Timão. Não aconteceu. Mas houve uma cena que ficou marcada. Romero parado por alguns minutos, emocionado, olhando para a torcida do Corinthians no Maracanã enquanto o hino ecoava das arquibancadas. Um silêncio que falou mais do que palavras. Muitos torcedores sentiram aquela emoção. Era o jogador admirando quem sempre esteve ao seu lado. A torcida. O Corinthians.

 

Foto: Reprodução Facebook/Sport Club Corinthians Paulista

Romero pode não ter sido o jogador mais habilidoso. Mas foi um jogador que amou o clube. Que entendeu o clube. Que soube jogar os jogos que o Corinthians precisava. Que entregou tudo. Absolutamente tudo.

Neste domingo, 11 de janeiro, na primeira partida do ano, o Corinthians fará uma homenagem a Romero. E ela é mais do que merecida. Fica também aqui a nossa homenagem ao paraguaio Romero. Aquele que muitos diziam que era o “Romero errado”, que o outro era mais habilidoso.

Mas o Corinthians contratou o Romero certo.
O Romero que amou o Corinthians.
O Romero que, mesmo errando, nunca deixou de lutar.
Nunca deixou de correr.
Nunca deixou de defender sua torcida — inclusive fora de campo, como naquela partida contra o Criciúma, quando se colocou à frente para proteger torcedores de policiais mal-intencionados.

Um jogador que deixou a alma em campo.
Que passou por fases boas e ruins.
Que viveu a era de craques e também a reconstrução.
Que atravessou crises internas e externas.
E que nunca abandonou o Sport Club Corinthians Paulista.

Não sei se isso é um adeus ou um até logo.
Mas aqui fica um obrigado.

Obrigado, Romero, por entender o que é Corinthians.
E por representar isso até o último segundo.