O São Paulo se prepara para dar início a um processo na Fifa visando a rescisão unilateral do contrato do zagueiro Robert Arboleda. O clube aguarda o prazo de dez dias estabelecido em notificação oficial para aplicar justa causa e buscar o pagamento da multa rescisória, estipulada em 100 milhões de euros.
A decisão foi motivada pela ausência do defensor, que não se apresentou para o jogo contra o Cruzeiro e, desde então, não deu qualquer justificativa nem respondeu aos contatos da diretoria. A situação é tratada internamente como grave quebra de compromisso profissional.
O entendimento do clube paulista é de que, caso o atleta acerte com outra equipe, o novo empregador poderá ser responsabilizado financeiramente de forma solidária. Como Arboleda está fora do país, o São Paulo pretende basear a cobrança na cláusula internacional. Em caso de transferência para um clube brasileiro, a multa prevista é de R$ 300 milhões.
Por se tratar de um jogador estrangeiro, o caso será conduzido na Fifa. O episódio lembra a situação envolvendo Christian Cueva e o Santos, quando o atleta deixou o clube sem justificativa e acabou condenado a indenizar após decisão na Corte Arbitral do Esporte.

Especialistas em direito desportivo, no entanto, apontam que a cobrança integral da multa pode enfrentar obstáculos. A aplicação da cláusula indenizatória depende de previsão contratual específica, especialmente em casos de rescisão por justa causa.
Outro ponto relevante envolve a possível responsabilização de um novo clube. De acordo com interpretações recentes da Fifa, só há obrigação solidária se for comprovado que a nova equipe induziu o atleta a romper o contrato, entendimento consolidado após o chamado “caso Diarra”.
Além disso, decisões mais recentes da entidade indicam que eventuais indenizações tendem a considerar os prejuízos efetivos do clube, como salários restantes e custos com reposição no elenco, e não necessariamente o valor integral da multa rescisória.
Enquanto o impasse segue, a imprensa equatoriana informou que Arboleda foi visto em um estádio em Guayaquil, acompanhando uma partida da segunda divisão local. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o jogador interagindo com torcedores, mesmo após sua ausência na estreia do São Paulo na competição continental.
Internamente, a postura do zagueiro foi duramente criticada. O diretor de futebol Rui Costa classificou o episódio como inaceitável e reforçou o compromisso do clube com a disciplina do elenco.
— Não há justificativa para essa atitude. É uma falta de respeito com o grupo, a diretoria e a torcida — afirmou.
Diferentemente de episódios anteriores, quando atrasos foram tratados com maior tolerância, o São Paulo adotou uma postura mais rígida diante da ausência em uma partida oficial. O clube agora aguarda o término do prazo para formalizar a ação e definir os próximos passos do caso.












