Mesmo antes do início oficial da temporada 2026 da Fórmula 1, o tetracampeão Max Verstappen já demonstrava insatisfação com o novo regulamento técnico. Após o GP da China, disputado no último fim de semana, o piloto voltou a criticar o desempenho do carro, mas recebeu resposta direta do chefe da Mercedes, Toto Wolff, que minimizou as reclamações.
Segundo Wolff, a percepção negativa de Verstappen está mais relacionada às dificuldades enfrentadas pela Red Bull Racing do que propriamente ao novo regulamento. O dirigente afirmou que as imagens onboard do carro do holandês evidenciam problemas de dirigibilidade, mas destacou que o cenário não se repete com outras equipes. Para ele, a disputa entre Mercedes e Ferrari indicou que a categoria segue competitiva e atrativa.
Dentro da pista, Verstappen ainda não conseguiu bons resultados em 2026. Após terminar apenas em sexto lugar no GP da Austrália, etapa de abertura do campeonato, o piloto abandonou a corrida no Grande Prêmio da China e soma apenas oito pontos, ocupando a oitava posição no Mundial de Pilotos. No primeiro fim de semana da temporada, ele também sofreu um acidente na classificação, atribuído a uma falha mecânica.

Em Xangai, o abandono foi causado por um problema no sistema de refrigeração ligado à recuperação de energia. A unidade de potência, desenvolvida em parceria entre a Red Bull e a Ford, já vinha apresentando falhas desde a pré-temporada. O mesmo tipo de problema afetou o desempenho do estreante Isack Hadjar na etapa anterior.
O chefe da equipe, Laurent Mekies, reconheceu que o carro RB21 apresenta “deficiências significativas”. O próprio Verstappen chegou a classificar o modelo como “indirigível”, concentrando críticas principalmente no novo sistema de recuperação de energia, que ganhou protagonismo com as mudanças no regulamento.
Entre as novidades, estão o Modo Ultrapassagem e o botão de impulso, que ampliam o controle dos pilotos sobre a gestão da energia elétrica — agora responsável por quase metade da potência dos carros. O novo cenário exige maior adaptação dos competidores, especialmente em voltas de classificação.

Apesar das críticas, Wolff defendeu as mudanças e afirmou que o novo regulamento contribui para corridas mais dinâmicas. O dirigente reconheceu, no entanto, que o impacto das alterações é mais perceptível nas sessões classificatórias, onde os pilotos precisam equilibrar velocidade e gerenciamento de energia.
Para o chefe da Mercedes, a Fórmula 1 evoluiu ao proporcionar mais disputas na pista, ainda que isso exija adaptação dos pilotos. Ele ressaltou que a insatisfação de Verstappen pode estar ligada ao estilo agressivo do holandês, que agora precisa lidar com uma abordagem mais estratégica ao volante.












