O Corinthians foi intimado pela Justiça de São Paulo a esclarecer inconsistências em suas informações financeiras, sob risco de sofrer intervenção judicial. A decisão aponta divergências relevantes nos dados apresentados pelo clube dentro do Regime de Centralização de Execuções (RCE).
O juiz Guilherme Cavalcanti Lamego identificou uma diferença de aproximadamente R$ 149 milhões nas receitas declaradas pelo Corinthians referentes ao mês de fevereiro. Enquanto o clube informou à Justiça um total de R$ 64,2 milhões para cálculo da parcela de março, os próprios demonstrativos indicam receitas de R$ 213,4 milhões no mesmo período.
Diante da discrepância, o magistrado determinou que o clube apresente esclarecimentos detalhados sobre os valores. Ele também advertiu que a eventual resistência no envio de documentos ou a manutenção de inconsistências poderá resultar na nomeação de um observador judicial ou até mesmo de um interventor.

A decisão foi publicada pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais na última quarta-feira e amplia a pressão sobre a atual gestão. No dia anterior, associados do clube protocolaram pedido de intervenção, com o objetivo de afastar o presidente Osmar Stabile e nomear um gestor judicial.
O plano de reestruturação financeira do Corinthians envolve atualmente cerca de R$ 450 milhões em dívidas, valor atualizado após a inclusão de juros, correções e novos credores — acima dos R$ 367 milhões inicialmente previstos. Desse total, aproximadamente R$ 200 milhões já estavam em fase de execução judicial.
As pendências abrangem débitos com empresários, fornecedores e jogadores, especialmente relacionados a direitos de imagem. Não fazem parte desse montante as dívidas tributárias nem o financiamento da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal.
Pelo acordo firmado no RCE, o clube terá até dez anos para quitar os débitos, com parcelas progressivas vinculadas às receitas recorrentes: 4% no primeiro ano, 5% no segundo e 6% a partir do terceiro ano.












