Justiça italiana investiga jogadores da Serie A por envolvimento em escândalo de prostituição

A justiça italiana abriu uma investigação referente a um esquema de festas ilegais, envolvendo substâncias químicas, lavagem de dinheiro e prostituição, e ao todo 50 jogadores da Serie A estão envolvidos no caso.

-

O futebol italiano entrou em estado de alerta nesta terça-feira (21), após a abertura de uma investigação conduzida pela promotoria de Milão envolvendo um esquema de festas de luxo com possíveis práticas ilegais. As primeiras informações foram divulgadas pelo jornalista Lorenzo Cascini, do jornal italiano La Gazzetta dello Sport, e novos detalhes ampliaram a dimensão do caso, já tratado pela imprensa local como “Movida das Escorts”.

De acordo com a investigação, liderada pela procuradora Bruna Albertini, a organização operava como uma estrutura sofisticada que movimentou mais de 1,2 milhão de euros (cerca de R$ 6,7 milhões). O esquema envolvia exploração sexual, lavagem de dinheiro e uso de substâncias químicas, tendo como público frequente nomes de alto perfil, incluindo cerca de 50 jogadores da Serie A.

Os principais alvos são os empresários Emanuele Buttini e Deborah Ronchi, que estão em prisão domiciliar. Segundo as autoridades, a empresa funcionava como fachada para uma rede de prostituição de luxo. Mais de 100 mulheres teriam sido recrutadas, muitas vivendo sob controle direto da organização e obrigadas a repassar 50% dos ganhos aos responsáveis.

A logística incluía eventos em Milão e também em destinos como Mykonos, na Grécia, com mulheres sendo levadas para atender clientes em diferentes locais. Nos documentos da investigação, os nomes dos frequentadores aparecem protegidos por sigilo judicial, identificados como “omissis”, embora conversas e registros já tenham sido interceptados.

Um dos pontos que chamou atenção nas escutas telefônicas foi a menção direta à negociação de mulheres brasileiras. Em um dos áudios obtidos pelas autoridades, um dos envolvidos afirma: “Vou mandar a brasileira para ele”, reforçando o caráter internacional do esquema.

Outro ponto central é o uso do óxido nitroso, conhecido como gás do riso. A substância era oferecida como parte das festas e chama atenção por suas características. O efeito é imediato, mas desaparece rapidamente do organismo, o que dificulta qualquer tipo de detecção em exames. Essa condição levanta preocupação no meio esportivo, já que o uso não deixa rastros evidentes.

Interceptações telefônicas também indicam a presença de outras figuras influentes. Em um dos trechos, um cliente solicita: “Tem um amigo meu, piloto de F1, que vem para Milão esta noite e quer uma garota”, evidenciando o alcance do esquema.

As autoridades também identificaram incompatibilidade entre a renda declarada pelos organizadores e o patrimônio acumulado, incluindo imóveis e bens de alto valor. A suspeita é de autoriciclagem, quando o dinheiro obtido de forma ilegal é reinvestido para dar aparência de legalidade às atividades.

Vale destacar que, tanto na Itália quanto no Brasil, a prostituição em si não é crime quando praticada de forma voluntária. No entanto, a exploração, intermediação e organização desse tipo de atividade são ilegais, o que fundamenta as acusações no caso investigado.

Até o momento, não há acusações formais contra os atletas citados, mas o caso já provoca forte repercussão no futebol italiano. O avanço das investigações e a possível revelação dos nomes envolvidos podem gerar impactos esportivos, jurídicos e comerciais relevantes, especialmente em relação à imagem de clubes e patrocinadores.

OUTRAS MATÉRIAS

Flamengo desafia desfalques e altitude para confirmar vaga diante do Bolívar...

Desfalcado e na altitude de La Paz, o Flamengo vai em busca da vaga nas quartas de final da Copa Libertadores nesta quinta, às...